domingo, 15 de agosto de 2010

Kentes e boas

Nos anos 40 do Século XX, em Coimbra, as Meninas Vasconcelos roubavam o olhar aos estudantes, presos à sua beleza ímpar ...
Endeusadas pelo sortilégio do seu encanto, depressa nasceu-lhes a mania desmesurada das grandezas.
Nas conversas com as amigas começam a insinuar que o Pai ainda era aparentado à Casa Real Britânica, devido à sua remota ascendência inglesa.

Até ao dia em que, corre, em Coimbra, a notícia de que vai visitar a cidade o Duque de Kent que, de visita ao nosso país, já havia manifestado, à Imprensa, o desejo de conhecer a vetusta Universidade de Coimbra.
Isso foi o suficiente para que, transbordantes de emoção, as Meninas Vasconcelos informassem a cidade de que o Duque de Kent, durante a estadia na Lusa Atenas, se hospedaria em sua casa.
Ora acontece que, para grande mal das Meninas, o parente real não chega a vir a Coimbra.
No entanto, fica para a posteridade, mais uma vez, o rasto irónico da Malta:

A partir desse momento, as Meninas Vasconcelos passaram a ser conhecidas pelas Kentes e... Boas !

( Adaptado de: JOÃO FALCATO, Coimbra dos Doutores. Coimbra, Coimbra Editora, Limitada, 1957, pp. 179-180. )