Numa prova escrita do professor José Carlos Moreira, aconteceu vir o bedel informá-lo de que o chamavam ao telefone.
Ficaram então os alunos com o bedel e, logo, como num milagre, surgiram debaixo das capas e das batinas, dos bolsos e de todos os lados, livros, sebentas, notas, apontamentos, em auxílio da resolução do ponto e de um final feliz para a prova.
O bedel protestou, mas à pouca eficácia e persuasão do seu veemente protesto não correspondia qualquer atitude de assentimento por parte dos alunos pelo que este tratou de fixar os estudantes mais eficazes na arte do copianço.
À chegada do mestre, novo milagre ! Os livros e as sebentas como que se evaporaram para espanto dos intervenientes e do próprio bedel ...
O bedel, zeloso das nobres funções para que tinha sido investido, num acto com a mesma importância, talvez, de um Doutoramento Honoris Causa, tratou, então, de denunciar ao mestre uma mão cheia de notáveis na arte de bem copiar.
O mestre terminada a exposição do bedel, olhou fixamente para ele retorquindo:
- Ó Sr Bedel, eu não o deixei aqui para exercer actividades delatórias ... mas para o caso de qualquer aluno deixar cair alguma caneta, algum papel ...
( Adaptado de: ALBERTO SOUSA LAMY, A Academia de Coimbra 1537-1990.Lisboa, Rei dos Livros, 1990, p.648.)